C6 Bank: estratégia, cheque especial e o jogo por trás dos números

Descrição: Análise crítica sobre o C6 Bank, sua estratégia com cheque especial, parceria com o J.P. Morgan e impactos reais para os clientes.


Desde que surgiu no mercado, o C6 Bank sempre me causou uma sensação estranha. Não é algo fácil de explicar, mas quem acompanha o setor financeiro de perto talvez entenda. A proposta parecia moderna, cheia de promessas, porém a execução nunca passou aquela segurança básica que a gente espera de um banco onde vai deixar dinheiro, salário, investimentos e até limites altos de crédito.

A comunicação do C6 Bank, por exemplo, quase sempre foi confusa. Mudanças importantes surgem do nada, regras são alteradas sem muito aviso e os executivos raramente aparecem para dar a cara a tapa. Isso, por si só, já gera um certo desconforto. Banco bom, na minha visão, precisa ser previsível no que importa.

O “vexame” do C6 Bank e a aproximação com o J.P. Morgan

Nos últimos meses, a estratégia do C6 Bank ficou mais explícita. O banco vem reforçando cada vez mais sua ligação com o J.P. Morgan, uma das maiores instituições financeiras do mundo, com mais de dois séculos de história e sede em Nova York. Hoje, essa parceria já se traduz em números: o J.P. Morgan detém algo próximo de 46% do C6 Bank.

Na teoria, isso deveria trazer mais solidez, governança e até melhorias na experiência do cliente. Mas, sendo bem honesto, não é isso que parece estar acontecendo. O movimento soa muito mais como posicionamento de mercado do que como inovação real.

Medidas como aumento agressivo de limite no cheque especial, ofertas relâmpago e ajustes rápidos em produtos passam a impressão de uma corrida por métricas. É crescimento? Sim. É saudável? Aí já é outra conversa.

Cheque especial: fácil, caro e nada especial

O nome “cheque especial” sempre foi meio irônico. De especial, ele não tem nada. Historicamente, é um dos créditos mais caros do mercado, com juros que assustam qualquer pessoa minimamente informada. Para o banco, porém, é uma mina de ouro.

No C6 Bank, isso fica bem claro. Em momentos de aperto financeiro, muita gente acaba usando o cheque especial quase no automático. O aplicativo facilita, o limite aparece ali piscando, e pronto: quando você vê, já entrou no vermelho.

Na minha própria conta, o limite disponível chega a R$ 35 mil, com aquela promessa tentadora de “até 10 dias sem juros”. Na prática, isso funciona mais como um empurrão psicológico para usar o limite do que como um benefício real. Afinal, depois desse prazo, os juros não perdoam ninguém.

Por que o C6 Bank insiste tanto nesse produto?

A lógica do C6 Bank é simples, quase óbvia. Aumenta-se o limite do cheque especial, principalmente para quem já usa. Os gerentes, sim, têm autonomia para conceder esses aumentos. É uma diretriz clara, vinda de cima.

O cliente entra no limite, paga juros elevados e o resultado aparece rápido na receita do banco. Do ponto de vista financeiro, funciona muito bem. Do ponto de vista do cliente… nem tanto.

Atendimento, gerentes e o desgaste da relação

Outro ponto que pesa bastante é o atendimento. A maioria dos clientes do C6 Bank não tem gerente dedicado. Isso gera frustração, demora nas respostas e um volume enorme de reclamações em plataformas como o Reclame Aqui.

Esse problema não é exclusivo do C6, vale dizer. Muitos bancos digitais cresceram apostando em tecnologia e automação, mas deixaram o relacionamento humano em segundo plano. O resultado é uma sensação de abandono, principalmente quando surge algum problema fora do padrão.

Mesmo clientes de alta renda, atendidos pelo segmento Carbon Partner, já relatam em 2026 uma redução clara na autonomia dos gerentes. Curiosamente, essa falta de autonomia não se aplica quando o assunto é… aumentar o cheque especial. Estranho? Nem tanto, se você olhar pelo lado do banco.

Quem pode ser Carbon Partner no C6 Bank?

Para fazer parte do Carbon Partner, o C6 Bank exige pelo menos um dos critérios abaixo:

  • Renda formal comprovada de R$ 15 mil (o próprio sistema faz uma renda presumida);
  • R$ 150 mil em investimentos dentro da plataforma.

Na prática, mesmo cumprindo esses requisitos, muitos clientes relatam que o tratamento premium ficou mais no marketing do que na realidade do dia a dia.

O objetivo final: valuation e possível venda

O desenho estratégico parece cada vez mais evidente. O C6 Bank está focado em alavancar receita no curto prazo, melhorar números e deixar o valuation mais atraente. Esse tipo de movimento costuma anteceder um desfecho específico: uma venda ou aumento de participação do sócio estratégico, no caso, o J.P. Morgan.

Não há nada de errado nisso do ponto de vista empresarial. O problema é quando o cliente vira apenas um número nessa equação.

Conclusão: atenção redobrada ao usar o C6 Bank

Hoje, toda a estratégia do C6 Bank gira em torno de métricas que impressionam investidores: crescimento acelerado, receita inflada e produtos que geram retorno rápido. O cliente, infelizmente, não parece ser a prioridade.

Minha sugestão é simples: use o banco com cautela. Especialmente produtos como o cheque especial, que parecem inofensivos, mas podem virar uma bola de neve financeira.


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