O CAIXA Ícone Visa Infinite apareceu em 2025 quase como quem não quer nada, mas acabou chamando muita atenção. Confesso que, no começo, achei que seria só mais um cartão tentando surfar na onda do segmento alta renda. Porém, com o passar dos meses, ficou claro que ele veio para disputar espaço com gigantes, inclusive com o BRB DUX Visa Infinite, que há anos é tratado como referência entre cartões realmente premium no Brasil.
Não dá pra dizer que o Ícone seja perfeito, longe disso. Ainda existem pontos que incomodam, ajustes que precisam ser feitos e decisões estratégicas que podem mudar completamente o jogo. Aproveitando esse clima de começo de ano, quando bancos repensam produtos e usuários avaliam se vale a pena manter ou trocar cartões, resolvi organizar algumas ideias e opiniões bem sinceras sobre como a CAIXA pode lapidar um produto que já nasceu forte, mas ainda pode ir muito além.
Trocar LoungeKey por Priority Pass faria diferença real
Hoje, o CAIXA Ícone Visa Infinite oferece acesso às salas VIP por meio do LoungeKey. Tecnicamente, isso já é bom. O detalhe é que o Priority Pass, que pertence ao mesmo grupo (Collinson Group), é claramente mais completo e mais valorizado no mercado.
A diferença não é só de nome ou status. O Priority Pass tem algo entre 100 e 200 salas VIP a mais espalhadas pelo mundo. Quem viaja com frequência percebe isso na prática, principalmente fora do eixo Europa–Estados Unidos. Uma troca simples como essa elevaria o Ícone para outro patamar, sem precisar reinventar nada. Seria um upgrade silencioso, mas muito percebido pelo público.
Quantidade de convidados ainda deixa a desejar
Esse é um ponto que, pessoalmente, me incomoda bastante. O Ícone oferece 10 convidados por ano via LoungeKey e mais 10 convidados pelo Visa Airport Companion. Na teoria, parece até ok. Na prática, não funciona tão bem assim.
Quem costuma viajar com família ou colegas sabe que esses acessos acabam rápido. E aí surge aquela situação chata: ter um cartão top, caro, e mesmo assim precisar manter outro só por causa das salas VIP. O BRB DUX, nesse aspecto, é mais simples e mais justo, permitindo 3 convidados por visita, sem esse controle anual confuso.
Spread zero seria um diferencial gigante
Pode parecer utopia hoje, mas a CAIXA já praticou spread zero em compras internacionais no passado. Atualmente, o banco cobra cerca de 4%, o que está na média do mercado. Nada fora do comum, mas também nada empolgante.
Agora, imagina o impacto se a CAIXA resolvesse resgatar o spread zero no Ícone. Seria um movimento ousado, sim, mas extremamente poderoso em termos de marketing e fidelização. Quem gasta em dólar sentiria no bolso logo na primeira fatura. Não é exagero dizer que isso sozinho faria muita gente migrar de cartão.
Falta um bônus de boas-vindas competitivo
O mercado brasileiro já é meio fraco quando o assunto é bônus de entrada, e a CAIXA, infelizmente, resolveu não oferecer nenhum bônus de boas-vindas no Ícone. Isso pesa, sim, na decisão de quem está comparando cartões premium.
Enquanto isso, o BRB DUX oferece bônus, e isso cria uma percepção imediata de valor. Não precisa ser nada absurdo. Algo simples, como 10 mil pontos no Uau CAIXA, já ajudaria muito. É aquele empurrão inicial que faz o cliente se sentir valorizado desde o começo, sabe?
Manter os 5 pontos por dólar deveria ser regra
No primeiro ano, o CAIXA Ícone Visa Infinite entrega 5 pontos por dólar gasto, o que é excelente. O problema é que o próprio regulamento prevê a redução para 4 pontos por dólar a partir do segundo ano.
Aqui mora um risco grande. Hoje, já existem pelo menos uns 10 cartões no mercado oferecendo essa mesma pontuação de 4 pontos. Ou seja, o Ícone perde rapidamente o fator “uau” e vira só mais um. Para se manter no topo, a lógica é simples: os 5 pontos por dólar precisam ser permanentes, não temporários.
Uau CAIXA precisa de mais parceiros relevantes
O programa Uau CAIXA ainda é limitado. Os parceiros são, em sua maioria, os mesmos de sempre. O TAP Miles&Go até chama atenção, mas sofreu downgrade na paridade, o que desanima um pouco.
Falta ambição, sendo bem direto. A entrada de parceiros internacionais fortes elevaria muito o valor percebido do cartão. Um exemplo quase óbvio é o ALL – Accor Live Limitless, que conversa diretamente com quem viaja, tanto no Brasil quanto fora. Esse tipo de parceria muda o jogo.
Conclusão: o CAIXA Ícone Visa Infinite tem futuro
Não dá pra negar: Marcio Recalde e Lessandro Werner Thomaz, conhecido como o “pai do Ícone”, merecem parabéns. O cartão sacudiu o mercado, forçou concorrentes a reagirem e elevou o nível da discussão sobre cartões premium no Brasil.
Claro, ainda quero mais. Sempre quero. E tenho a sensação de que 2026 pode trazer novidades bem mais ambiciosas. Quando um produto nasce forte, o próximo passo natural é pensar grande. Se a CAIXA tiver coragem de ajustar esses pontos, o CAIXA Ícone Visa Infinite tem tudo para entrar, sem discussão, no top 3 dos cartões mais completos do país.
Sugestões de leitura
- Comparativo entre cartões Visa Infinite no Brasil
- Vale a pena trocar de cartão premium em 2026?
- Como escolher o melhor cartão para quem viaja muito
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