Cartões de crédito do Itaú: por que o banco ficou para trás e o que poderia mudar

Descrição: Uma análise crítica sobre os cartões de crédito do Itaú, pontuação, benefícios e caminhos para o banco voltar a ser competitivo no mercado premium.


Fazer uma crítica ao Itaú não é exatamente uma novidade. O banco é gigante, tradicional, presente em praticamente todas as cidades do Brasil e com uma base de clientes que qualquer concorrente invejaria. Ainda assim, quando o assunto é cartões de crédito do Itaú, especialmente no universo de pontos, milhas e benefícios premium, a sensação é de que o tempo passou… e o banco não acompanhou.

Não se trata de falta de público. Muito menos de falta de dinheiro ou estrutura. O problema parece ser outro: falta de movimento, de ousadia e, talvez, de ouvir quem realmente usa cartão de crédito de forma estratégica.

A verdade, doa a quem doer, é que hoje o Itaú deixou de ser referência nesse segmento. E isso tem um custo claro: perda de clientes bem informados, aqueles que comparam, fazem contas e sabem exatamente onde concentrar seus gastos.

Uma visão de mercado, não um ataque

Depois de muitos anos acompanhando o mercado de cartões, programas de fidelidade e mudanças no comportamento dos consumidores, fica difícil ignorar alguns sinais. Esta análise não nasce de birra nem de torcida contra. Pelo contrário. É quase um pedido: o Itaú tem tudo para fazer melhor, mas precisa querer.

Quem entende minimamente de milhas aéreas, cashback e benefícios premium já percebeu. Muitos produtos do banco simplesmente não fazem mais sentido quando comparados com alternativas de outros emissores.

Pontuação dos cartões de crédito do Itaú: abaixo do esperado

Hoje, no segmento de alta renda, existe um consenso silencioso: menos de 4 pontos por dólar gasto não é mais competitivo. Esse número, que no passado era visto como algo extraordinário, virou o básico.

Alguns cartões já oferecem:

  • 4 pontos por dólar em compras nacionais
  • Até 5 pontos por dólar em situações específicas
  • Programas flexíveis de transferência de pontos

Quando olhamos para o Itaú The One, que deveria representar o topo da prateleira, encontramos apenas 3 pontos por dólar. É pouco. E não é uma opinião isolada, é uma constatação de mercado.

Outro detalhe que muita gente ignora, mas faz toda diferença: pontuação em compras nacionais é o que realmente importa. O cliente de alta renda gasta no Brasil, paga escola, mercado, serviços, viagens internas. Pontuar bem só no exterior não fideliza ninguém.

Acesso a salas VIP: o básico ainda não foi entregue

Ter acesso ilimitado a salas VIP hoje não é luxo. É obrigação. O problema é que o Itaú ainda trabalha com um modelo limitado, geralmente restrito a apenas um programa, como o LoungeKey.

Os cartões mais desejados atualmente oferecem:

  • LoungeKey + Dragonpass
  • Ampla rede de lounges e restaurantes
  • Convidados gratuitos por visita

Limitar convidados por cota anual (10 ou 20 por ano) é um erro clássico. Quem viaja acompanhado sabe como isso quebra a experiência. O padrão atual é simples: convidado por entrada, sem dor de cabeça.

Itaú Lounge: chegou tarde e ainda com ajustes

A criação de um lounge próprio poderia ser um ponto positivo. Mas, na prática, o Itaú Lounge reforça a imagem de um banco que reage, em vez de liderar.

Quase todos os concorrentes já tinham seus espaços quando o Itaú decidiu entrar no jogo. E, pior, o projeto sofreu mudanças e atrasos, empurrando a abertura para o segundo trimestre. Isso passa insegurança e afeta a credibilidade.

Programa de fidelidade e Itaú Shop: falta direção

O Itaú Shop parece existir, mas não empolga. As parcerias são praticamente as mesmas há anos, sem grandes novidades ou diferenciais claros.

Enquanto isso, outros bancos entenderam algo básico: programa de fidelidade não vive só de milhas aéreas. Hotéis, experiências, produtos e serviços também contam — e muito.

Sem evolução, o cliente simplesmente não vê motivo para concentrar gastos no ecossistema do Itaú.

Anuidade alta e entrega baixa

Cobrar cerca de R$ 4 mil de anuidade em um cartão que não entrega diferenciais reais não se sustenta. Não é sobre cobrar caro, é sobre justificar o preço.

Uma anuidade mais coerente, algo em torno de R$ 2 mil, poderia funcionar se viesse acompanhada de:

  • Política clara de isenção
  • Metas realistas de gastos
  • Benefícios visíveis no dia a dia

O programa Minhas Vantagens acerta ao isentar clientes nível 5, mas erra ao ignorar o nível 4. Falta uma ponte, um incentivo real para evoluir dentro do próprio banco.

IOF zero: o mínimo esperado

Hoje, usar cartões de crédito do Itaú no exterior sai caro. E isso afasta exatamente o público que mais viaja.

IOF zero já não é novidade. É padrão. Bancos que entenderam isso retêm clientes. Quem ignora, perde. Simples assim.

Detalhes que também contam

Cartão premium precisa ser de metal. Ponto final. Um kit de boas-vindas bem feito, elegante, também importa. São detalhes, mas detalhes que comunicam valor.

Outro erro comum é atrelar o cartão apenas a investimentos. O histórico do cliente, relacionamento e perfil de uso deveriam pesar mais que o saldo aplicado.

Considerações finais

O Itaú não precisa reinventar o mercado. O caminho já está aí, testado e validado pelos concorrentes. Falta decisão.

Enquanto isso não acontece, o banco segue perdendo espaço entre os cartões mais desejados do Brasil. E isso poderia ser diferente.

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