Descrição: Novo cartão intermediário do Itaú gera frustração no mercado. Veja por que a estratégia decepciona e o que clientes de alta renda esperam.
Nas últimas semanas começou a circular no mercado financeiro a informação de que o Itaú prepara o lançamento de um novo cartão de crédito. Em teoria, isso poderia ser uma boa notícia. Mais opções costumam significar mais concorrência, certo? Nem sempre. Pelo que tudo indica, o banco vai apresentar um cartão intermediário, posicionado entre o Itaú Black e o Itaú The One. E é exatamente aí que mora o problema.
Esse novo cartão do Itaú já nasce com um desafio enorme: justificar sua existência. O The One, que deveria ser um produto de referência para o público de alta renda, é visto por muita gente como caro, pouco inspirador e com benefícios que não acompanham o que outros bancos vêm oferecendo. Criar algo “entre ele e o Black” soa mais como remendo do que como inovação real. Na prática, parece só mais um cartão tentando ocupar espaço em um portfólio já confuso.
Vale deixar bem claro: não estamos falando do Mastercard World Legend, categoria lançada em 2025 e voltada para clientes de altíssimo patrimônio. Esse sim foi um movimento relevante do mercado. O novo cartão intermediário do Itaú segue uma lógica bem diferente, mais conservadora, com pouca ousadia e distante do que o consumidor mais exigente espera hoje.
Excesso de cartões não significa qualidade
Quem acompanha o portfólio de cartões do Itaú já percebeu que quantidade nunca foi um problema para o banco. Historicamente, a estratégia sempre foi apostar em volume, principalmente com cartões co-branded e parcerias com grandes marcas. Nos últimos anos esse movimento diminuiu, o que até parece positivo. Menos cartões genéricos circulando por aí faz bem ao mercado.
O problema é que o cenário mudou. Hoje o cliente compara, pesquisa, lê reviews e participa de comunidades online. Em 2025, por exemplo, foram lançados mais de 20 novos cartões no Brasil, muitos deles com propostas bem mais claras, anuidade justa e foco real em benefícios como pontuação, experiências e acesso a salas VIP.
Nesse contexto, não vence quem tem mais cartões. Vence quem entrega valor de verdade para cada perfil de cliente.
O Itaú Black perdeu relevância?
Atualmente, o Itaú oferece três versões do Itaú Personnalité Mastercard Black:
- Versão de pontos
- Versão de cashback
- Versão sem anuidade
Só aí já surge o primeiro sinal de alerta: confusão. E a lista não para por aí. Ainda existem:
- Itaú Uniclass Mastercard Black
- Itaú Pão de Açúcar Mastercard Black
- Itaú Azul Skyline Mastercard Black
- Itaú LATAM Pass Mastercard Black
Além disso, há duas versões do The One:
- Itaú Personnalité The One Mastercard Black
- Itaú Private The One Mastercard Black
Para o cliente comum, entender qual cartão realmente vale a pena vira quase um quebra-cabeça. Muita opção, pouca clareza.
Itaú Personnalité Mastercard Black (versão pontos)
Essa é hoje a versão mais popular entre os clientes de alta renda do banco. Um dos grandes atrativos é a isenção total de anuidade ao atingir o nível 2 do programa Minhas Vantagens Itaú Personnalité. O problema? O critério é tão simples que quase todo mundo consegue.
Na prática, isso gera acomodação. O cliente mantém o cartão, usa pouco, não explora benefícios e segue com um produto que, apesar do nome “Black”, entrega bem menos do que outros concorrentes diretos.
Os benefícios principais são:
- 2 acessos gratuitos às salas VIP por ano
- Pontuação de 2 pontos por dólar gasto
E só. Para um cartão Black em 2026, isso soa ultrapassado. Dá até a sensação de estar uns 8 ou 10 anos atrasado em relação ao mercado.
O novo cartão do Itaú: o que deveria mudar?
Sendo bem sincero, o histórico recente do Itaú não anima muito. Ainda assim, se esse novo cartão quiser ter alguma relevância, três pontos precisam ser levados a sério desde o lançamento:
- Anuidade justa, com regra clara de isenção
- Pontuação competitiva, alinhada ao que outros bancos oferecem hoje
- Acessos a salas VIP, que viraram critério decisivo para esse público
Sem isso, o cartão nasce caro, confuso e pouco atrativo. Simples assim.
Concorrência entendeu melhor o momento
Um bom exemplo de quem leu o mercado com mais atenção foi o Porto Bank. O banco conseguiu criar um cartão acessível, com regras objetivas e benefícios realmente acima da média.
Entre os destaques estão:
- 1 ano de isenção de anuidade
- Pontuação de até 3,5 pontos por dólar em faturas acima de R$ 20 mil
- Anuidade reduzida no segundo ano
- Isenção com apenas R$ 10 mil de gastos mensais
- 10 acessos gratuitos às salas VIP (podendo chegar a 40 por ano)
- Aceitação ampla, sem bloqueios em apps ou lotéricas
Esse tipo de proposta mostra que ainda há espaço para inovar, mesmo em um mercado tão disputado.
Conclusão: status não basta mais
Recentemente, em um evento da Mastercard, encontrei Candido Bracher, ex-CEO do Itaú e hoje membro do conselho do banco. Ao perguntar qual cartão ele usava, a resposta veio rápida: The One. Não surpreende. É o cartão “natural” para quem sempre esteve dentro do ecossistema Itaú, mesmo com anuidade próxima de R$ 4 mil e benefícios que já não impressionam.
O Itaú tem estrutura, base de clientes e poder de negociação para ser referência absoluta em cartões de alta renda no Brasil. Falta, porém, uma mudança clara de mentalidade. Menos foco em status, mais foco em entrega real. Enquanto isso não acontecer, qualquer novo cartão do Itaú corre o risco de ser apenas mais um nome bonito na carteira do cliente.
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