Você já fez uma compra internacional com seu cartão de crédito e levou um susto quando viu o valor na fatura? Pois é, isso acontece por causa de algumas cobranças extras, e uma delas é o tal do spread. Muita gente não sabe o que é, mas ele pode pesar (e muito) no seu bolso.
Afinal, o que é spread?
O spread é uma taxa que os bancos adicionam sobre a cotação oficial do dólar (ou de outra moeda) quando você faz uma compra em moeda estrangeira. Ou seja, o valor que você vê no Google como “dólar comercial” não é o mesmo usado para converter sua compra na fatura. O banco aplica um percentual a mais – e esse percentual varia bastante.
Por exemplo, se o dólar está a R$ 5,00 e o seu banco cobra 5% de spread, a conversão será feita com o dólar a R$ 5,25. E isso ainda sem contar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que atualmente é de 3,38% para compras internacionais com cartão de crédito.
Como isso impacta o valor final?
Vamos a um exemplo simples:
Se você comprar US$ 100 com o dólar a R$ 5,70 e o banco cobrar um spread de 5,3%, o dólar vai pra R$ 5,99. A compra vai sair por R$ 599, e, com o IOF, o valor total salta para R$ 619,26. Em uma compra pequena já dá pra ver o impacto. Agora imagine uma viagem inteira.
Quais bancos cobram mais spread?
De acordo com dados recentes, os bancos tradicionais costumam ter os spreads mais altos. O Banco Safra, por exemplo, cobra cerca de 7%. Em seguida vêm Santander, Itaú, Bradesco, Porto Bank e Pan, com taxas entre 5% e 6%.
Até mesmo bancos digitais como Nubank, Inter e C6 Bank cobram spreads consideráveis, entre 4% e 5,25%.
Por outro lado, há boas surpresas: algumas cooperativas de crédito como Sicoob, Unicred, Cresol e Sisprime não cobram spread — ou seja, 0%.
Vale a pena pagar spread para acumular milhas?
Muita gente aceita pagar essas taxas pensando nas milhas ou pontos que vai acumular. Mas será que compensa?
Na maioria das vezes, não. O custo extra do spread somado ao IOF geralmente é maior do que o valor das milhas. Por exemplo: uma compra de US$ 3.000 com um cartão que dá 2,5 pontos por dólar (como o C6 Carbon) pode custar cerca de R$ 15.575. Essa compra geraria 7.500 pontos.
Agora, se você usasse uma conta digital internacional como a Nomad ou a Wise, a mesma compra sairia por aproximadamente R$ 15.180 — uma economia de quase R$ 400. Com esse valor, você conseguiria comprar muito mais milhas em promoções.
Como evitar o spread?
A melhor forma de evitar essa taxa é usar contas digitais internacionais. Fintechs como Nomad, Wise e Revolut vêm se tornando populares por oferecerem câmbio mais próximo do comercial e taxas bem menores.
Além de evitar o spread, essas contas também cobram IOF de apenas 1,1% (bem abaixo dos 3,38% do cartão de crédito), e algumas permitem que você mantenha saldo em diversas moedas, como dólar, euro e libra.
Por que abrir uma conta digital internacional?
Ter uma conta internacional pode ser útil para várias situações:
- Viagens ao exterior
- Compras em sites como Amazon, eBay, AliExpress
- Assinaturas em dólar (como Netflix, Spotify)
- Pagamento de serviços ou freelancers internacionais
- Estudantes em intercâmbio
- Investimentos fora do Brasil
Essas contas são simples de abrir, muitas vezes só pedem um documento e uma selfie, e aceitam depósito por Pix. Além disso, você pode usar um cartão de débito internacional para fazer compras físicas ou online.
Qual conta internacional escolher?
As três opções mais conhecidas no Brasil são Wise, Nomad e Revolut. Todas são confiáveis, oferecem cartão de débito e permitem transações em várias moedas.
A Wise e a Revolut são mais flexíveis para quem quer converter entre diferentes moedas. Já a Nomad é focada em dólar e oferece uma boa experiência para quem faz compras ou viaja com frequência.
Conclusão
Se você costuma fazer compras internacionais ou viajar para fora do Brasil, vale muito a pena repensar o uso do cartão de crédito. O spread, somado ao IOF, pode aumentar bastante o valor final de cada compra.
Buscar alternativas como cooperativas de crédito ou contas digitais internacionais pode te ajudar a economizar e ter mais controle sobre seus gastos em moeda estrangeira.
Dica final
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