Descrição: RecargaPay lança cartões de crédito e aposta forte em cashback, mas ignora pontos e milhas. Entenda os erros e o que esperar do RecargaPay Titan.
Em junho de 2025, o RecargaPay resolveu dar um passo que já era esperado fazia tempo: entrar oficialmente no mercado de cartões de crédito. Até então, a fintech oferecia apenas um cartão pré-pago, que era divulgado como “cartão de crédito”, algo que, convenhamos, sempre causou um certo ruído entre os usuários mais atentos. Muita gente só percebia a diferença quando tentava parcelar uma compra ou usar algum benefício típico de crédito e… nada acontecia.
Quando finalmente os produtos reais chegaram — o RecargaPay Mastercard Platinum e o RecargaPay Mastercard Black — a expectativa até existia. Só que ela durou pouco. Na prática, os cartões não empolgaram quase ninguém que acompanha minimamente o mercado financeiro. E não é exagero ou birra de quem gosta de reclamar. Basta observar o engajamento fraco, poucas análises aprofundadas e um interesse bem abaixo do esperado por parte do público mais estratégico.
Cashback não é mais diferencial no Brasil
A principal aposta do RecargaPay nesses lançamentos foi o cashback. Tudo gira em torno disso. O problema é que o mercado brasileiro já deu vários sinais claros de que o consumidor de maior valor não está mais olhando só pra dinheiro de volta na fatura. Hoje, quem realmente movimenta volume quer pontos, milhas e programas de fidelidade.
Isso não é achismo. Diversos bancos que, anos atrás, defendiam o cashback como grande trunfo acabaram mudando de rota. Alguns migraram totalmente para pontos, outros adotaram um modelo híbrido. O motivo é simples:
- Pontos geram mais engajamento
- Programas de milhas aumentam a retenção
- A percepção de valor é muito maior
Cashback é prático, ninguém discute. O dinheiro cai ali, fácil de entender, sem regra complicada. Mas essa simplicidade tem um custo: reduz o potencial de lucro do cartão e limita a experiência do cliente. E, no mundo dos cartões premium, facilidade raramente significa ganho máximo.
RecargaPay Titan Mastercard Black: nova tentativa, mesma ideia?
Agora, o RecargaPay se prepara para lançar, em janeiro de 2026, o RecargaPay Titan Mastercard Black. A promessa é corrigir a rota e atrair um público mais exigente, aquele que realmente compara benefícios antes de escolher um cartão.
Segundo as informações iniciais, o Titan deve oferecer 2% de cashback, mas com uma condição já bastante conhecida: será necessário manter investimentos em CDB. Isso, por si só, não é ruim. O problema é que não tem nada de novo nisso. Vários bancos já usam esse mesmo modelo há anos, com resultados variados.
O risco aqui é bem claro: repetir o erro anterior com uma embalagem mais sofisticada.
Se o cartão mantiver benefícios tímidos, como os apenas dois acessos a salas VIP do atual Black, ele já nasce ultrapassado. Hoje em dia, quem conhece o básico do mercado sabe que esse tipo de benefício não impressiona mais. Salas VIP, seguros de viagem robustos e experiências diferenciadas viraram o mínimo esperado, não um extra.
O que poderia ser feito de forma diferente
Na minha opinião — e aqui entra uma visão bem pessoal mesmo — o caminho mais inteligente para o RecargaPay seria outro. Um modelo baseado em pontos, com a possibilidade de converter esses pontos em cashback para quem prefere liquidez imediata.
Assim, a fintech conseguiria atender dois perfis ao mesmo tempo:
- Usuários mais simples, que querem dinheiro direto
- Clientes estratégicos, que valorizam milhas e benefícios
Esse tipo de estrutura não empobrece o produto e ainda amplia o alcance do cartão. Ignorar isso, hoje, parece mais falta de leitura de mercado do que uma escolha consciente.
Falta estudo de cenário e comparação com concorrentes
O que tudo indica é que o RecargaPay ainda não mergulhou fundo o suficiente no cenário atual dos cartões de crédito no Brasil. Falta comparação direta com concorrentes, entendimento real do que faz um cartão se destacar além do marketing bonito e, principalmente, clareza sobre o público que se quer atingir.
Não adianta lançar um cartão “Black” se ele entrega benefícios que já ficaram no passado. O consumidor está mais informado, mais crítico e menos paciente. Errar uma vez até vai. Errar de novo, não.
Vale a pena esperar algo diferente?
O RecargaPay Titan ainda pode surpreender, claro. Até o lançamento oficial, muita coisa pode mudar. Benefícios podem ser ajustados, parcerias anunciadas e a proposta refinada. Mas, olhando para o histórico recente da fintech nesse segmento, confesso que minhas expectativas não são das mais altas.
O mercado de cartões é implacável. Ele não perdoa erro repetido, nem aposta preguiçosa. Quem não acompanha a evolução fica pra trás, simples assim.
Leituras recomendadas
- Comparativo entre cashback e pontos em cartões de crédito
- Melhores cartões Black do Brasil em 2025
- Como escolher um cartão ideal para milhas aéreas
Conclusão
O RecargaPay deu um passo importante ao finalmente lançar cartões de crédito de verdade. Mas, até agora, parece ter escolhido um caminho que já não encanta quem realmente move o mercado. Resta observar os próximos capítulos e ver se o Titan vem apenas como mais do mesmo ou se, finalmente, traz algo que valha a atenção.
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